
Hale
Narrador de documentário com a mão no seu ombro
Categoria de voz
O narrador é a voz com quem o seu público passa mais tempo, e é a que as pessoas escalam mais rápido. O que um narrador precisa é sobreviver à duração — ser claro em velocidade acelerada, tolerável em volume alto e ainda agradável trinta minutos depois —, então teste os candidatos num trecho longo, não numa fala só.

Hale
Narrador de documentário com a mão no seu ombro

Wren
Acolhedora, lenta, nunca acorda ninguém

Dorian
Barítono literário para revelação lenta

Sable
Primeira pessoa noir, seca e próxima
As amostras são provisórias enquanto o áudio de demonstração público é produzido. Toda voz está disponível em todos os planos — a biblioteca não é paywall.
Tudo o que torna uma voz atraente numa amostra curta — ser marcante, ter caráter, ter um timbre incomum — vira passivo ao longo de uma hora. O ouvinte se habitua ao que é agradável e passa a notar apenas o que incomoda, e qualquer particularidade vira a coisa que ele nota. É um efeito bem documentado e é a razão de a narração profissional soar comparativamente sem graça.
Isso não é falta de ambição. É a resposta de engenharia correta para um formato que consome dez horas da atenção de alguém. Escolha o narrador pensando na décima hora, não nos primeiros dez segundos, e você vai escolher diferente.
O hábito mais útil é ouvir os candidatos no seu texto real e não numa frase de amostra. Pegue o parágrafo com que você está menos satisfeito — aquele com os nomes difíceis e a construção travada — e rode todos os candidatos nele. A amostra bonita não distingue ninguém; o parágrafo ruim distingue todo mundo.
Depois confira a duração. Três minutos é o mínimo útil e cinco é melhor. Ouça fazendo outra coisa, como o seu público vai ouvir. E confira uma coisa que só o português cobra: o texto de narração brasileiro costuma ter muito gerúndio (“estava chegando”, “vinha andando”), e narrador que marca demais a sílaba do gerúndio cria um tique que fica insuportável no capítulo três. Isso não aparece numa amostra curta.
Numa produção com elenco completo, o narrador tem uma função estrutural específica: segurar a moldura, descrever o que não dá para dramatizar e passar a bola para os personagens. Quando isso falha, falha sempre do mesmo jeito — o ouvinte deixa de saber se o que está ouvindo é narração ou é fala de alguém, e a partir daí ele ouve tudo errado.
A solução confiável é separação por faixa e por tratamento. Ponha o narrador numa altura que nenhum personagem ocupa, mantenha o ritmo dele um pouco mais lento que o do diálogo, e resista à tentação de dar personalidade a ele. O narrador é a coisa estável contra a qual todo o resto se move.
Todo projeto com vocabulário inventado precisa de uma passagem deliberada em que você acha cada nome, lugar e termo criado, confere como ele é falado e reescreve no roteiro o que sair errado. Fazer isso no começo custa vinte minutos; fazer depois custa renderizar nove capítulos de novo.
Em português essa passagem tem um item que o inglês não tem: a vogal tônica aberta ou fechada. “Avô” e “avó” diferem só nisso e significam pessoas diferentes; nome próprio inventado não tem regra e o motor chuta — escrever o acento gráfico no nome costuma resolver. Mantenha uma lista das grafias que funcionaram. Num projeto longo, essa lista compartilhada de pronúncia é o que mantém o capítulo doze coerente com o capítulo um, e serve igualmente bem se outra pessoa assumir o trabalho.
Audiolivro publicado roda em torno de 150 palavras por minuto, e o primeiro instinto de quase todo mundo é que isso é lento demais. Não é. A velocidade de leitura silenciosa é duas a três vezes maior, então um ritmo de narração que bate com a sua leitura parece ágil para você e impossível de acompanhar para quem está dirigindo, cozinhando ou andando na rua.
Existe um segundo motivo para ficar devagar: o ouvinte acelera por conta própria. Uma parcela grande da escuta de audiolivro e de podcast acontece em 1,25x ou mais, e material gravado rápido fica inutilizável nessas velocidades. Gravar um pouco mais devagar do que parece natural devolve essa escolha para o público.
A exceção é o diálogo dentro da narração. Fala de personagem pode e deve ser mais rápida que a prosa em volta, porque esse contraste é parte do que avisa o ouvinte de que a história saiu da descrição e entrou na conversa.
Não na primeira frase. Use o parágrafo com os nomes inventados, a frase comprida e a oração esquisita — é ali que narrador quebra.
Fadiga de narrador não aparece numa amostra de dez segundos. Renderize três minutos de texto real antes de fechar uma voz para um projeto inteiro.
Nome, lugar e palavra inventada: teste cada um e reescreva no próprio texto, ou separe com hífen, os que saírem errados — não existe ajuste de pronúncia. Faça isso no começo, não depois de nove capítulos renderizados.
Escale o narrador numa faixa claramente diferente dos personagens principais. O ouvinte tem que distinguir narração de diálogo sem nenhuma outra pista.
Renderize nas unidades em que você vai publicar. Fica barato renderizar de novo depois de uma edição e o gerenciamento de arquivo continua sensato num projeto longo.
Constância mais do que personalidade. Um narrador precisa continuar agradável por horas, o que premia ritmo parelho, consoante limpa e extensão moderada. Voz marcante é empolgante por um minuto e cansativa por uma hora, e é por isso que narrador profissional costuma ser menos colorido do que as pessoas esperam.
Em ficção de primeira pessoa o narrador é o personagem, e acumular é o certo. Em terceira pessoa, mantenha separados — um narrador que também faz o vilão confunde o ouvinte sobre quem está falando, que é a única coisa que a narração nunca pode fazer.
Mais devagar que conversa. Audiolivro publicado roda em torno de 150 palavras por minuto, o que parece arrastado quando você lê junto e está certo quando você só ouve. Se a sua renderização parece um pouco lenta para você, provavelmente está no ponto.
Para cena simples de duas pessoas, dá, do jeito que um leitor único de audiolivro faz. A partir de quatro interlocutores, escalar separadamente fica dramaticamente mais claro, e é essa a razão de esta ferramenta existir.
Este site é feito em português do Brasil, mas não existe ajuste de variante: a voz de cada personagem sai do idioma, do gênero e da faixa etária, e você não escolhe entre Brasil e Portugal. Das dezesseis vozes que um projeto em português pode usar, só cinco são nativas — três de pt-BR e duas de pt-PT —; as outras onze são multilíngues. Então uma cena pode juntar um narrador brasileiro e um personagem que soa português ou estrangeiro. Às vezes isso serve à história; quando não serve, ouça o elenco antes de exportar e troque o personagem da biblioteca, sabendo que não há garantia de cair numa voz brasileira. Um elenco que alterna entre normas sem motivo soa como produção montada com peça de reposição, e o ouvinte percebe antes de saber explicar o quê.
O Plus pelos minutos — duzentos por mês dão mais ou menos três a quatro horas de narração pronta. O Pro se você quiser controle de emoção fala por fala, que importa mais do que as pessoas imaginam para impedir que uma leitura longa vá achatando.
Cole um roteiro, deixe a CastDub dar uma voz a cada personagem e exporte um audiodrama pronto.
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